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Suspensão de projeto da AFAUPA em Lafaiete gera críticas

Publicada em: 11/03/2026 12:06 -

A suspensão do projeto “Tarcísio Ferreira – Um Anjinho no Céu”, que oferecia atendimento terapêutico e psicológico gratuito a crianças e adolescentes com autismo em Conselheiro Lafaiete, motivou a discussão e esclarecimento público pela Administração Municipal. Segundo a associação, os atendimentos foram interrompidos neste mês de março por falta de recursos financeiros.

A AFAUPA informou que atua no município desde 2013, prestando apoio a pessoas com autismo, especialmente crianças e adolescentes, por meio de atividades terapêuticas, ações sociais e iniciativas de conscientização. A entidade também promove capacitações gratuitas voltadas a profissionais da área da educação e mantém parcerias com clínicas privadas, profissionais autônomos e estabelecimentos comerciais para ampliar a rede de atendimento.

Entre as iniciativas desenvolvidas está o projeto “Tarcísio Ferreira – Um Anjinho no Céu”, realizado entre 2025 e março de 2026 com recursos do Fundo da Infância e da Adolescência (FIA). Durante esse período, os participantes tiveram acesso a atendimento semanal de terapia e psicologia, além de atividades de inclusão e interação social.

De acordo com a associação, o acompanhamento contínuo contribuiu para avanços no desenvolvimento das crianças e adolescentes atendidos e trouxe reflexos positivos para as famílias. A entidade avaliou que a interrupção do tratamento pode comprometer os resultados alcançados e provocar regressão no desenvolvimento de parte dos participantes.

A AFAUPA informou ainda que, ao longo de 2025, iniciou a busca por novas fontes de financiamento, uma vez que os recursos do projeto seriam suficientes apenas até março de 2026. Nesse processo, a entidade conseguiu a indicação de um deputado estadual para destinação de R$ 180 mil, valor que, segundo a associação, seria suficiente para manter o projeto por mais um ano com o mesmo número de atendidos.

Segundo a entidade, o recurso estaria depositado na conta da Prefeitura desde junho de 2025, porém não teria sido repassado à associação até o momento, apesar de reuniões e da apresentação de documentos solicitados.

A associação também informou que buscou viabilizar outra fonte de financiamento por meio do Fundo da Infância e da Adolescência, com um projeto estimado em R$ 381 mil. Nesse caso, empresas e pessoas físicas podem realizar doações com possibilidade de dedução no Imposto de Renda. Entretanto, de acordo com a AFAUPA, até agora não foi possível captar o valor total necessário para a execução do projeto.

A entidade destacou ainda que houve mobilização junto à Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete, onde vereadores apresentaram emendas impositivas que poderiam garantir recursos para a continuidade e ampliação da iniciativa. No entanto, segundo a associação, ainda não há previsão para a liberação desses valores.

A AFAUPA também afirmou que atualmente não há oferta regular pelo poder público de atendimento contínuo e semanal de terapia e psicologia voltado especificamente para crianças e adolescentes diagnosticados com autismo no município, o que vinha sendo parcialmente suprido pelos projetos desenvolvidos pela entidade.

Esclarecimento da Prefeitura

Após a divulgação do comunicado da associação, a Administração Municipal de Conselheiro Lafaiete também publicou uma nota de esclarecimento sobre a situação.

Segundo a Prefeitura, o recurso de R$ 180 mil, citado pela AFAUPA e proveniente da Resolução Estadual nº 10.092/2025, não foi destinado especificamente à associação ou a qualquer outra entidade. De acordo com o Executivo municipal, o valor foi repassado ao município de forma geral por meio do Fundo Municipal de Saúde, devendo ser utilizado para custear ações da Atenção Primária à Saúde e aplicado exclusivamente em atividades voltadas ao atendimento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda conforme a Administração Municipal, diante da relevância social do projeto, está em fase de elaboração um edital de chamamento público para formalizar o repasse de recursos destinados à execução da iniciativa. O objetivo, segundo a Prefeitura, é garantir transparência, legalidade e igualdade de oportunidades entre entidades que atendam aos requisitos previstos na legislação.

No comunicado, o Executivo municipal reafirmou o compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e com o apoio a iniciativas que promovam impacto social positivo para a população.

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